Projeto do bem

Casal faz ensaio fotográfico de animais deficientes para estimular adoção

Infelizmente, ainda é bastante comum que animais com alguma deficiência - sem alguma das patinhas, cegos ou com dificuldade de locomoção - sejam ignorados quando se fala em adoção e busca por um lar.

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26/06/2017 às 13:00
Por Redação

Por isso, o casal de fotógrafos Célia Nazarko, 39 anos, e Felipe Pellegrini, 42 anos, decidiu lançar um projeto na Capital, chamado “Meu Pet Extraordinário”. Eles vão fotografar até 40 animais com deficiência, de qualquer tipo, e coletar suas histórias. Com o material, vão abrir uma exposição e lançar um livro, uma compilação de todos os relatos e imagens.

Cão Luke é deficiente e participar do projeto

Felipe fazendo fotos do cão Luke (Foto: André Bittar)

A motivação veio de uma experiência pessoal. Há um ano e meio, eles estavam saindo de casa, de carro, quando deram partida e ouviram gritos no motor do veículo. Era um gatinho, posteriormente batizado de Bob, que estava dentro do capô. “Ele perdeu uma patinha. Levamos para o veterinário, e tiveram que amputar a perninha inteira”, relatam.

Célia e Felipe adotaram Bob e, com o convívio, perceberam a felicidade e energia positiva do animalzinho. “Quem sofre é a gente. Quando a gente viu, o Bob já estava brincando, fazendo tudo o que os outros gatos fazem, se comportando normalmente”, diz Célia. “A gente acha que são animais extraordinários porque eles têm uma vontade de viver muito grande”, completa Felipe.

O primeiro animalzinho fotografado pelo projeto foi Luke. A sessão de fotos aconteceu ontem, no estúdio do casal. Luke é um poodle de 5 anos e nasceu com Síndrome do Cão Nadador. É paraplégico e precisa de uma cadeirinha de rodas para se movimentar com conforto.

André fotografa cão Luke

O casal tem um estúdio especializado em fotografar animais, mas o projeto é gratuito (Foto: André Bittar)

Quem cuida do cãozinho é a gestora de recursos humanos Carmen Amorim, de 48 anos. Ela conta que Luke passou por várias casas e sempre era abandonado, por conta de suas limitações. “Ele deveria ter uns 3 meses quando eu o adotei, e foi amor à primeira vista”, diz. “Por ser especial, requer muita dedicação. Mas ele veio para mostrar que obstáculos podem ser vencidos. É um cachorrinho muito feliz”.

Carmin e Luke são famosos na vizinhança. “Quando saio passear, as pessoas pedem para tirar fotos”, revela. E os dois já serviram até de motivação para uma vizinha. Admirada com a força de vontade do animal, ela mesma passou a sair mais de casa e conseguiu cumprir seu objetivo de emagrecer. “Ela falou que foi tudo pela motivação de ver o Luke nas ruas”.

A cadeirinha de Luke veio de São Paulo. Carmen conseguiu doação de um protetora animal paulistana. Uma cadeira nova, comprada pela internet, custa cerca de R$ 400,00. “Aqui em Campo Grande é muito difícil conseguir uma”, lamenta.

Preconceito

Célia e Felipe esperam que o projeto “Meu Pet Extraordinário” possa ajudar a diminuir a rejeição contra animais especiais. “Muita gente acha que eles dão muito trabalho, que vão ficar sofrendo, que a casa vai se tornar triste. Não é verdade. Eles se comportam com naturalidade, são um exemplo para nós”, define Célia.

“Essa campanha é para mostrar para as pessoas que não precisa ter medo de ter um animal que seja especial. Pode ser um pouco mais dificultoso, mas é um animal que precisa de comida, amor, água, tomar banho, como qualquer outro”, conclui Felipe.

Como Participar

Para participar do projeto, é preciso enviar um e-mail seupetstar@gmail.com com as seguintes informações: nome do seu mascote, a idade e sua condição especial, além de uma foto e a história do animal.

A exposição fotográfica acontecerá entre os dias 4 e 14 de outubro, no Fran’s Café (Rua Mal. Candido Mariano Rondon, 2.453). Todos os animais são aceitos, cães, gatos, pássaros, equinos e demais. Só é preciso que sejam de Campo Grande.

O livro que será lançado vai ser financiado pelos fotógrafos. “A gente espera vender e ter um retorno financeiro, mas o principal objetivo do projeto é mesmo divulgar esses animais extraordinários”, finaliza Célia.

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