BICHOS - MARTHA FOLLAIN

Borboleta

Além de “borboleta”, temos em português a palavra “panapaná”, que deriva do tupi “panã” (“bater”) para designar esse inseto. O bater das asas da borboleta invoca a palavra “panamá”. Conforme...

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01/06/2016 às 16:40
Por Redação

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Além de “borboleta”, temos em português a palavra “panapaná”, que deriva do tupi “panã” (“bater”) para designar esse inseto. O bater das asas da borboleta invoca a palavra “panamá”. Conforme José Pedro Machado em seu dicionário etimológico, borboleta é a reduplicação em tom afetivo de “bellus” (“bonito”, “encantador”, em latim). Teríamos então “belbellita” (um diminutivo), que resultou em borboleta a partir do século XIV. Mas não há certeza completa sobre a origem do nome borboleta. Poderia vir do latim “papilio”, que era como os romanos a chamavam. Na língua portuguesa, o termo “panapaná” também é um substantivo coletivo para borboleta.

As borboletas são insetos voadores que possuem dois pares de asas e demonstram polimorfismo que é a diversidade de aspecto entre indivíduos, quanto à cor, forma, tamanho, ou outras características, mimetismo que é adaptação, semelhança, imitação, reprodução, e aposematismo que é a capacidade de utilizar cores em sua própria defesa. As principais cores usadas são vermelho e amarelo; vermelho e preto; vermelho, amarelo e preto; e preto e branco. Suas cores as identificam – é por meio delas que outros indivíduos e outros insetos sabem o sexo das borboletas e a que família pertencem.

São insetos da família dos lepidópteros diurnos (as mariposas são noturnas). São encontradas na natureza com diversas cores e tamanhos. As menores têm apenas 3 milímetros, e as maiores podem chegar a medir 30 centímetros. As borboletas se alimentam basicamente do nectar das flores e suco dos frutos. Durante as migrações podem ficar longos períodos em jejum, conseguindo voar mais de 2 200 km. Algumas, como as borboletas monarcas, migram longas distâncias no inverno – elas viajam dos Grandes Lagos, no Canadá, até o Golfo do México, percorrendo a distância de 3200 km. Elas retornam ao norte na primavera.

Borboleta Asas de Vidro ou “gretta oto”

Borboleta Asas de Vidro ou “gretta oto”

Para voar, as borboletas dependem da energia do sol, captada por suas asas. Têm vida muito curta. Algumas espécies vivem somente um mês. O máximo que algumas conseguem viver é um ano. Esses insetos ocorrem em todos os continentes, com exceção da Antártida. São conhecidas atualmente cerca de 20 000 borboletas, sendo que 3 300 ocorrem no Brasil.

Borboletas conseguem enxergar num ângulo de 360° porque seus olhos são formados por 12 mil partes que geram imagens. Enxergam o verde, amarelo e o vermelho. Também conseguem ver raios ultravioletas, que nós humanos não conseguimos enxergar.

O macho e a fêmea podem se acasalar durante o voo e se atraem pela cor e pelo cheiro. Suas cores servem como uma espécie de identidade. Depois de fecundada, a fêmea põe os ovos rapidamente, e isso pode levar só 24 horas em algumas espécies. As borboletas voam, no máximo, a 20 km/h. As mariposas, no entanto, podem atingir o dobro dessa velocidade – as borboletas e as mariposas diferem essencialmente em 3 aspectos: as borboletas somente voam de dia, e as mariposas, voam de noite; as borboletas são diáfanas e suas asas apresentam colorido delicado; as mariposas têm asas de um aveludado escuro e pesado; e enquanto existem apenas 16 famílias de borboletas, há mais de 100 famílias de mariposas, algumas com mais de 1000 espécies.

O ciclo de vida das borboletas inclui as seguintes etapas:

1 – ovo (fase pré larval) – os filhotes deixam os ovos em um período que pode variar de 5 a 7 dias e passam para a fase de larvas;

2 – larva (chamada também de lagarta ou taturana) – na fase de larva, comem as folhas das plantas hospedeiras e criam reservas alimentícias e as lagartas de algumas borboletas comem insetos nefastos;

3 – pupa (que se desenvolve dentro da crisálida, também chamado de casulo) – quando as larvas desenvolvem um casulo, elas passam a ser chamadas de pupas ou crisálidas. É nessa fase que a borboleta toma sua forma. Quando a larva está pronta para virar crisálida dependura-se numa folha por um par de falsas pernas, de cabeça para baixo, e assim que a pele de suas costas se abre, a larva se sacode e surge uma crisálida;

4- quando saem do casulo, as asas ainda estão amassadas e molhadas. A borboleta só está pronta para voar quando elas estiverem bem secas;

5 – imago (fase adulta).

Algumas espécies podem ser pestes, pois quando ainda são larvas podem danificar culturas ou árvores; porém, algumas espécies são agentes de polinização de plantas (polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas através dos grãos de pólen que estão localizados nas antenas de uma flor, para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio estigma). Polinização é o transporte de grãos de pólen de uma flor para outra, ou para o seu próprio estigma. É através deste procedimento que as flores se reproduzem. As borboletas são muito importantes por esse processo.

Simbologia da borboleta:

A borboleta é considerada o símbolo da felicidade, do progresso, da beleza e da renovação. Mas há muitos outros significados atribuídos às borboletas. Como a borboleta atravessa vários estágios pra nascer, pode-se considerar vida, morte e ressurreição – renovação. A transformação da borboleta pode significar as transformações da vida de um ser humano: infância, adolescência, casamento, velhice, morte. Entre os antigos, a borboleta era o símbolo da alma, da vida, da alegria e da atração para a luz. A borboleta também pode significar a alma que sai de uma pessoa que morre e se liberta (a saída do casulo).

Simbologia das cores:

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As borboletas azuis significam sorte;

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As borboletas coloridas trazem alegrias e felicidade;

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Borboletas amarelas simbolizam mudança de vida para melhor;

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Borboletas brancas significam calma, paz, plenitude.

Outras Simbologias:

Para a psicanálise a borboleta é o símbolo do renascimento, liberdade e autoestima;

Para o xamanismo seu poder de transformação é a energia de cura, pois a borboleta passa por uma metamorfose profunda. Não há outro animal que passe por uma metamorfose tão intensa e completa;

Na mitologia grega, a alma era representada por uma mulher com asas de borboleta. Além disso, segundo crenças populares, na morte, o espírito saía do corpo em forma de borboleta. O termo grego “psyche” significava alma e borboleta, que era o espírito imortal;

Os astecas e os maias consideravam a borboleta como símbolo da alma assim como a vida que escapava da boca de quem estava morrendo. Para eles a borboleta simbolizava o deus do fogo “Xiutecutli”, conhecido também por “Huehueteotl”, o qual levava um peitoral chamado “borboleta de obsidiana” que significava o sopro de vida. Também é o símbolo do sol negro, pois atravessa o mundo subterrâneo, ligado ao sacrifício, morte e ressureição. A borboleta no meio das flores representava as almas dos guerreiros mortos no campo de batalha;

Balubas e os Luluas do Kasai, do Zaire central, também associam a borboleta com a alma. Para eles o homem segue o ciclo da borboleta, desde seu nascimento até a sua morte. Assim, na infância está associado a uma pequena lagarta; na maturidade, a uma grande lagarta e conforme vai envelhecendo, numa crisálida. O casulo é a sepultura de onde sai a sua alma, cuja forma é uma borboleta;

Os iranianos e alguns povos turcos da Ásia central acreditam que os mortos podem aparecer de noite com a forma de uma mariposa (negra);

Na China e no Vietnã a borboleta significa longevidade;

No Japão a borboleta representa a figura feminina e também da gueixa, por sua delicadeza, rapidez e graciosidade. O casamento feliz é simbolizado por duas borboletas (masculino e feminino). Ainda são vistas como espíritos viajantes, e quando aparecem anunciam uma visita ou a morte de uma pessoa próxima. Outra simbologia japonesa das borboletas é que podem anunciar a morte de uma pessoa próxima, pois viajam muito.

“Na mitologia irlandesa, a borboleta simboliza a alma liberta de seu corpo, da mesma maneira que na simbologia cristã. Num conto irlandês chamado “Corte de Etain”, o deus Miter se casa pela segunda vez com uma deusa chamada Etain. Por ciúmes de sua primeira esposa, transforma-a numa poça de água. Após algum tempo, a poça dá vida a uma lagarta que se transforma numa linda borboleta. Mider e Engus (filho de Dagda) recolhem a lagarta e a protegem. E essa lagarta se torna em seguida uma borboleta púrpura.(…) era a mais bela que já ouve no mundo”;

Rudolf Steiner, criador da Antroposofia, disse que: “as borboletas são flores que se desprenderam da terra e as flores são borboletas que a terra apreendeu…” Seja como for, as flores marcam a primavera e as borboletas são seu símbolo maior.

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta (com dois lobos), que fica localizada na parte anterior pescoço. É uma das maiores glândulas do corpo humano e tem um peso aproximado de 15 a 25 gramas (no adulto).As doenças da tireóide são os bloqueios auto impostos para “sabotar” a liberdade da borboleta.

A simbologia da evolução da borboleta é a passagem pela fase de lagarta onde o indivíduo está “preso” a um relacionamento ou situação. Posteriormente, quando deseja mudar interiormente, há a necessidade de um período de recolhimento, o “casulo”, para reflexão (terapia, florais, etc.). Do casulo surge a borboleta. Após o recolhimento e reflexão, o indivíduo pode vivenciar seu caminho (“voo”) para sua liberdade – de suas próprias cobranças – em relação a si mesmo e ao “outro”.

A palavra borboleta é recordista em variações:

alemão: SCHMETTERLLING

árabe: FARAASH

basco: TXIMELETA

cebuano das Filipinas – KABA-KABA

croata – LEPTIR

esloveno – METULJ

espanhol – MARIPOSA

estoniano – LIBLIKAS

finlandês – PERHONEN

francês – PAPPILLON

grego – PETALOUDA

havaiano – PULELEHUA

hebraico – PAPAR

híndi da Índia – TITLI

holandês – VLINDER

húngaro – PILLANGÓ

inglês – BUTTERFLY

islandês – FIDRILDI

italiano – FARFALLA

japonês – CHOCHO

lídiche – BABELE

mandarim da China – HU-DIÉ

marathi da Índia – FULPAKHARU

polonês – MOTYL

romeno – FLUTURE

russo – BÁBOTSCHKA

sueco – FJÄRIL

tagalog da Filipinas – DANH TÙ

tupi guarani – PANAPANÁ

turco – KELEBEK

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