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Por que nunca veremos um MasterChef vegano?

Em sua segunda edição no Brasil, o MasterChef está chegando ao final e continua conquistando ótimos índices de audiência e recordes de faturamento – graças à publicidade e aos patrocinadores....

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09/09/2015 às 16:40
Por Redação

Foto: Reprodução

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Em sua segunda edição no Brasil, o MasterChef está chegando ao final e continua conquistando ótimos índices de audiência e recordes de faturamento – graças à publicidade e aos patrocinadores. E não são apenas os “carnívoros” que assistem ao programa na TV Band, pois até mesmo ovolactovegetarianos e veganos acabam dando uma escapada e assistindo a alguns trechos do programa gastronômico. E é claro que nós fazemos isso pensando em como adaptar às receitas ao universo vegano e, indo um pouco além, se seria possível ver um MasterChef vegano na TV.

E por mais que a ideia seja incrível e pareça superlegal, a grande verdade é que não veremos isso acontecer tão cedo – sendo realistas, é possível que não vejamos isso no Brasil durante este século. É triste, mas os motivos são bem fáceis de serem entendidos. Imaginar que um programa como o MasterChef – ou qualquer outro que leve as competições gastronômicas para o grande público – pode fazer uma versão vegana é esperar que o mundo inteiro mude… você vai entender isso já já!

O público

Para começar, não podemos esperar que uma emissora de televisão aberta queira investir um período de sua grade para fazer um programa que terá poucos espectadores. Por mais que o vegetarianismo esteja crescendo no Brasil, ele ainda é muito pouco perto do que se torna atraente para as emissoras de televisão. Como você pode imaginar, sem um audiência realmente interessante, fica difícil conseguir anunciantes e o próprio programa não conseguiria se manter no ar – tendo que pagar premiações, funcionários, equipamentos e produtos usados nas gravações.

Os patrocinadores

CIF (Unilever), Brasil Foods, Nivea, Knorr (Unilever), Cacau Show, Dolce Gusto (Nestlé) e Tramontina são os patrocinadores do MasterChef. Junto com os anunciantes, são eles que financiam tudo o que acontece no programa, inclusive os salários altos dos juízes e da apresentadora. Agora, releia o nome de todas as empresas que foram citadas no começo do parágrafo e responda se faria sentido alguma delas patrocinando algum programa de culinária vegana. Claro que não! Nem para eles e nem para nós!

Mas se formos esperar que somente empresas veganas patrocinem o programa, é bem difícil que algum dia tenhamos dinheiro suficiente para manter a atração no ar. Somente quando o número de clientes veganos for grande o suficiente para fazer com que uma empresa vegana se torne uma grande corporação é que poderemos sonhar com algo desse tipo.

Onde isso pode acontecer?

Como dissemos no começo do texto: antes de vermos um MasterChef vegano é preciso que o mundo inteiro mude. É preciso que milhões e milhões de pessoas se tornem consumidoras do veganismo – levando a filosofia também para o grande mercado. É preciso que muitas empresas consigam crescer nesse mercado do veganismo – e empresas veganas, não apenas empresas já existentes enxergando uma oportunidade de crescer. Enfim… É preciso de uma remodelagem social completa e que ainda está distante… Distante a um ponto que impede o otimismo.

Por isso tudo, é quase certo que jamais vejamos um MasterChef, um Hell’s Kitchen ou qualquer outro programa do gênero em versões veganas, pelo menos na TV. As alternativas ficam nas emissoras menores de TV a cabo com grades mais flexíveis e também na internet. Aliás… Já demorou para que algum canal do YouTube invista na ideia, não é mesmo?

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