Ecoveganismo - Dennis Zagha Bluwol

A ética barata

Neste dia 16/09/2013, a Folha de São Paulo publicou em seu site o texto chamado "A Ética das Baratas" do “filósofo" Luiz Felipe Pondée contra defensores de animais. O texto...

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19/09/2013 às 11:00
Por Redação

Neste dia 16/09/2013, a Folha de São Paulo publicou em seu site o texto chamado “A Ética das Baratas” do “filósofo” Luiz Felipe Pondée contra defensores de animais. O texto é tão fraco que não valeria nem comentar, mas como se trata de um pop-star da divulgação de ideias no país, aí vai uma pequena resposta em 10 comentários.

1. Começar um artigo por “As pessoas têm crenças desde a pré-história”. É coisa de moleque ginasial.

2. Ele diz: “Esquecemos que direitos e escolhas são produtos mais caros do que bolsa Prada”. Mas ele mesmo não o aplica nem aos animais nem aos humanos que escolhem não compactuar com a tortura dos mesmos.

3. O grande filósofo da moda nem se deu ao trabalho de averiguar tudo o mais que foi escrito sobre o tema desde Singer: “Em 1975, o filósofo utilitarista australiano Peter Singer publicou um livro chamado “Animal Liberation”, que deixou o mundo de boca aberta”.

4. Que eu saiba filósofo que se preze precisa argumentar sobre as afirmações que faz. Se o cara apenas diz uma estupidez como “O mundo não sobreviveria a uma praga de pessoas que não usam sapatos de couro porque os considera fruto da opressão capitalista contra os bichinhos inocentes” sem achar que precisa justificar, ele não é filósofo, mas apenas um polemista barato.

5. Chama quem se preocupa com animais de “seita verde”. Nem se deu ao trabalho de entender a diferença entre ética animal e ambientalismo e a crítica ao coletivismo do ambientalismo em prol de uma ética que olhe para os entes concretos.

6. Citar Kafka é uma das coisas que autores fazem para parecer inteligentes. No caso, quando diz que “Nem Kafka foi tão longe ao apontar o ridículo de um homem”, deve-se dar crédito, pois de ridículo esse pseudo-pensador entende mesmo.

7. O argumento “A pergunta é: essa moçadinha seguidora de uma mistura de filosofia singeriana aguada e budismo light (com pitadas de delírio) já olhou para natureza a sua volta?” para questionar o não torturar outros seres é que é ridículo. Há uma diferença substancial entre você não ser o autor de um ato que pode evitar e aceitar que há comportamentos naturais que estão além de nossas opções. Será que o grande pensador não diferencia quem é o ativo moral, quem tem capacidade de escolher seus atos? E do modo que fala parece que defende que tudo o que acontece na natureza pode ser feito sem problemas por humanos. Não há lugar para escolha moral. Outro pensamento pífio.

8. Outro “argumento” sem argumento: “E mais: normalmente essa moçadinha é bem narcisista e muito pouco solidária com gente de carne e osso”. Essa é uma das formas de tentar ganhar um debate sem ter razão: colocar algo que não tem a ver com o que se está discutindo, mas que, mesmo que não seja verdade (e mesmo que fosse), leva o público a alguma emoção o fazendo ejacular junto com o polemista (principalmente quando o assunto mexe com coisas que o público não quer ver em si mesmo). Isso é um truque velho. Tenho certeza que o tal autor deve ter estudado isso em algum primeiro ano de Filosofia.

9. Outra vez fala sem o mínimo estudo: “se não comermos os bois e as vacas, eles vão fazer uma manifestação na Paulista pedindo direito a pastos de graça (“os sem-pastos”) para garantir a sobrevivência de seus milhões de cidadãos bovinos”. É difícil ver que a população bovina é tão extensa justamente por causa da criação? É hoje que a criação de gado está acabando com ecossistemas inteiros. É a criação, não a ausência de criação, que está transformando o mundo em pastos e agriculturas geradoras de ração pra gado.

10. A última questão é já uma velha falácia: “Pergunto a esses adoradores de baratas: ele já pensou que as alfaces também sofrem?” Senhor Pondée: já ouviu falar de sistema nervoso, de consciência sobre a sensibilidade? Até você deve conseguir perceber a diferença entre um boi ou uma barata e um pé de alface.

Em suma, trata-se de um texto que é tudo menos filosófico. O autor mostra mais uma vez que gostou da posição de polemista barato e famoso, bastando pra isso sua pose infantil de superioridade intelectual.

Seu texto é mal escrito, suas afirmações não se justificam, nada é baseado em algum argumento válido, nada é baseado em algum estudo, em algum fundamento. O autor quer apenas parecer inteligente para seu público torpe (que, como dito acima, adorarão ter alguém famoso zombando daquele amigo vegetariano, para que ele também se sinta superior por não precisar olhar para a questão nem repensar seus hábitos) sem nem perceber a escrotice de querer sabotar quem se preocupa com a tortura de seres sencientes. Ou seja, como é comum no país, é mais um cara que acorda, defeca um artigo e ganha louros de pop-star intelectual. Está pronto para ser comentarista do Jornal da Globo.

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