Faltou falar! – Paula Schuwenck

Jaula da morte – quem oferece perigo, afinal?

O parque Crocosaurus Cove, na Austrália, agora conta uma atração inusitada chamada “Jaula da Morte”. Nela, crocodilos de até 5,5 metros nadam em volta de uma caixa de acrílico com,...

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18/12/2008 às 16:18
Por Redação

O parque Crocosaurus Cove, na Austrália, agora conta uma atração inusitada chamada “Jaula da Morte”. Nela, crocodilos de até 5,5 metros nadam em volta de uma caixa de acrílico com, adivinhe, pessoas dentro.
Da BBC para praticamente todos os jornais no Brasil, a notícia merece nossos parabéns por dar espaço, ainda que bem pequeno, às críticas da ativista de direitos animais, Patty Mark: “Nós deveríamos respeitar esses animais, principalmente animais inteligentes como os crocodilos. Eles pertencem à natureza, não ao nosso entretenimento.”

Incrível como o ser humano se sente atraído por situações de risco com outros animais, precisam se aproximar, às vezes tocar, simplesmente por serem diferentes e assustadores para o nosso padrão de “pets fofuras”.

Segundo a matéria, há turistas mais corajosos que ficam próximos ao maior crocodilo do parque. Coragem seria enfrentá-lo, não espiá-lo de dentro de um tubo grosso. Eu sinto vergonha por quem se presta a tamanha banalidade.

Ninguém encara realmente a ferocidade de um crocodilo e, por exemplo, de um tubarão, animal também usado com a mesma finalidade. No caso dos tubarões, mergulhadores os instigam com pedaços de carne ensangüentados e os fazem de bobos quando se aproximam. Você também, se fosse um animal carnívoro, não ficaria ainda mais raivoso e violento se estivesse faminto? Com os crocodilos a regra é a mesma. No parque eles estão nervosos, estressados e, é claro, ainda mais violentos por conta da situação. Vivem em locais que não o seu habitat e são obrigados a interagir com seres humanos sedentos de calafrios e sustos. Por quê? Por que, afinal, precisamos dessa adrenalina, mistura de curiosidade e medo, em relação a seres vivos diferentes da gente? Se uma dessas caixas um dia se romper e o crocodilo aguçado fizer do visitante um aperitivo, como será noticiado?

Seres humanos têm a necessidade de sentirem-se superiores.  Não basta saber que são diferentes e existem em algum lugar do mundo. Não basta ler sobre as características, os hábitos alimentares, o tamanho dos dentes e da cauda. É preciso caçar, capturar, prender.

Crocodilos vivem, em média, até 80 anos de idade. Porém, hoje, a maioria é abatida quando chega a 1,8 metro de comprimento, com apenas dois anos de vida. Isso por sua carne ser considerada exótica, seu couro resistente e utilizado na confecção de sapatos, bolsas e tantas outras opções luxuosas, como roupas, luvas, capa para notebook, tiara, cinto.

Martelos e machados são os utensílios usados rotineiramente para a extração do couro do crocodilo, que pode durar até duas horas com ele ainda vivo.

Muitos crocodilos estão em cativeiros, zoológicos e em parques como o Crocosaurus Cove, o qual mantém 52 mil crocodilos e coleta da natureza pelo menos 30 mil ovos por ano. Ou seja, o suficiente para manter essa atração durante muito tempo.

Se não for pela conscientização que gera o boicote, nada mais fará com que crocodilos vivam como nasceram para viver.

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